domingo, 28 de fevereiro de 2016

A importância do acesso ao crédito para o desenvolvimento da região central do Paraná




O acesso ao crédito é considerado a mola propulsora de qualquer tipo de desenvolvimento, e já é consenso entre as diversas correntes de pensamento da Ciência Econômica. Sendo assim, o crédito possui um papel vital na economia, uma vez que é essencial ao financiamento do consumo das famílias e investimento dos setores produtivos.

Sob o ponto de vista local, podemos destacar que atualmente Turvo está bem estruturado quando se analisa o mercado financeiro. A cidade conta com agências bancárias e cooperativas de crédito, dentre outras opções de agentes do sistema financeiro que fornecem crédito para investimento tanto para consumo, quanto para investimento no setor produtivo.

No entanto, outro aspecto importante do crédito, mas que é de suma importância para cidades de porte de Turvo, é o crediário próprio das lojas de varejo locais. Enquanto muitos acreditam que o cartão de crédito irá substituir por completo este sistema, e nos grandes centros populacionais isto vem sendo apontado como uma tendência, no entanto é fato que isto ainda pode demorar algum tempo para dominar o mercado por completo – ou talvez nunca domine, pois alguns especialistas apontam o cartão de crédito como tecnologia já obsoleta. Mesmo com toda a tecnologia atualmente à disposição dos comerciantes, ainda existe nos pequenos municípios e bairros das grandes cidades, a prática “de vender fiado”, pois este modo de venda a prazo deve ter algum fator positivo para quem o utiliza.

Por conceito, o crediário próprio é a forma em que o empreendedor utiliza seus próprios recursos para financiar as vendas parceladas para os seus clientes – pode ser feito através de carnê, nota promissória, cheques pré-datados, dentre outros. Existem outras formas de financiamento de vendas que são terceirizadas, como o cartão de crédito, financiamento por financeiras, etc. Mas quando a carteira de crédito própria é bem gerenciada, se torna num grande diferencial competitivo para micro e pequenas empresas, porque permite trabalhar com a fidelização dos clientes, que periodicamente retornam ao ponto de venda para acertar suas contas – e se tiverem um bom atendimento, comprarem mais. Inclusive grandes redes varejistas, como Casas Bahia e Grupo Gazin, cresceram com estratégias semelhantes de crediário próprio nos últimos tempos.

O atual cenário econômico, além da primeira queda – em 10 anos – das vendas do comércio varejista em 2015, aponta obstáculos como juros altos, inadimplência e elevadas taxas de endividamento do brasileiro que levaram o sistema financeiro a fechar a torneira, reduzindo drasticamente o volume de recursos destinados ao financiamento do consumo e tornando difícil o financiamento por terceiros. A alternativa que se apresenta para o pequeno lojista é a ampliação da oferta do crediário próprio.

Por outro lado, o crediário próprio tem como seu maior desafio, o controle do risco de inadimplência. Se este instrumento pode ser positivo e alavancar vendas, também pode, quando mal utilizado, levar qualquer negócio à bancarrota.

É reconhecendo a importância do crédito e o seu maior desafio – controle da inadimplência – que as Associações Comerciais e Empresariais, tradicionalmente atuam no Brasil oferendo aos empreendedores associados o Serviço de Proteção ao Crédito – que é um banco de dados com registro de informações de dívidas em atraso dos consumidores. Este banco de dados oferece informações sobre os pretendentes à obtenção de crédito, para a análise dos riscos na sua concessão. Através deste banco de dados, o mercado controla o endividamento dos consumidores. Vale ressaltar que o SPC, sistema operado pelas Associações Comerciais e Empresariais – e não é o único – é eficiente e possui baixo custo aos empresários e consumidores. É ágil na consulta de informações, registro de inadimplentes e na atualização das dívidas regularizadas.

Na contramão do reconhecimento da importância do crédito para o desenvolvimento do estado do Paraná, o Deputado Luiz Carlos Romanelli,Líder do Governo na Assembleia Legislativa do Paraná, é autor do Projeto de Lei nº 594/2015, que equivocadamente propõem proteger o consumidor, mas que na prática busca inviabilizar economicamente o atual sistema de proteção ao crédito vigente no estado.

Deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) / Foto: Dálie Felberg / Alep

O projeto obriga às instituições de proteção ao crédito a enviar através dos Correios carta com aviso de recebimento (AR) para notificar o devedor acerca da inclusão de seu nome no banco de dados. Atualmente este aviso é realizado eficientemente através de carta na modalidade de registro simples. Se aprovada, esta alteração acarretará o aumento estratosférico de cerca de 800% de aumento no custo de registro, inviabilizando, segundo a Faciap95% dos apontamentos de dívidas em atraso. No Paraná, o ticket médio das dívidas não ultrapassa R$ 60,00 e a nova modalidade de aviso aumentará o custo do aviso dos atuais R$ 2,00 para um valor acima de R$ 18,00 por registro. O projeto atinge diretamente, micro e pequenos empresários, que em sua maioria utilizam o SPC como única ferramenta de proteção do seu negócio frente ao risco de inadimplência e será inviável registrar os clientes inadimplentes devido ao custo.


Se o cenário atual, com crise no varejo, já é desafiador, se tornará ainda pior caso este projeto seja aprovado, afetando maleficamente a saúde financeira do mercado paranaense, comprometendo a sobrevivência dos pequenos negócios em todo o estado Paraná, principalmente na região central. No caso de Turvo, por exemplo, onde a maioria da população – 70 % – reside na área rural e, por consequência, a agência dos Correios não faz a entrega das correspondências nas residências, e a nova forma de envio de correspondências simplesmente não surtirá efeitos para os registros de inadimplentes.


 


O primeiro estado brasileiro a aprovar uma lei semelhante – Lei 15.659/2015 – à deste projeto, foi São Paulo e apenas no primeiro mês97% dos inadimplentes deixaram de ser negativados, pois apenas 3% dos consumidores inadimplentes assinaram o recebimento da AR. Estima-se que nos meses de setembro a outubro de 2015, cerca de 10 milhões de dívidas em atraso deixaram de ser registradas, que foram contraídas por cerca de 7 milhões de consumidores somando um total aproximado de R$ 21,5 bilhões. É notório que este cenário prejudica gravemente a ferramenta do crédito e o mercado passa a não mais conhecer o comportamento do cidadão e eleva substancialmente o risco na concessão do crédito, que passa a ser mais restrito e aumenta consideravelmente os juros cobrados.

Quanto ao Projeto de Lei nº 594/2015 que tramita na ALEP – Assembleia Legislativa do Paraná, atendendo à solicitação das instituições representativas do setor produtivo do estado, está agendada uma audiência pública para o dia 01 de março, próxima terça-feira, às 9h, na Sala da Comissão de Constituição e Justiça, na ALEP.

O evento marcado para o Auditório Legislativo atende a uma proposição conjunta da Comissão de Defesa do Consumidor, presidida pelo deputado Requião Filho (PMDB), e da Comissão de Indústria, Comércio, Emprego e Renda, presidida pelo deputado Marcio Pauliki (PDT).


Deputados Requião Filho (PMDB) e Marcio Paulik (PDT) / Foto: Pedro de Oliveira / Alep
Neste contexto, a Faciap – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná convoca todas as Associações integrantes do sistema a se fazerem presentes neste evento, para conhecer e defender o estado do Paraná, fortalecendo ainda mais a responsabilidade pelo desenvolvimento econômico.

Na região de Guarapuava a Cacicopar – Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais da Região Centro Oeste do Paraná, está organizando uma comitiva para acompanhar na Audiência Pública, na próxima terça-feira. É importante frisar que empreender vai além de cuidar bem da empresa da porta para dentro e o ambiente externo também determina o sucesso ou fracasso de um empreendimento. Por isto é extremamente necessário termos instituições atuantes e fortalecidas com a participação dos empresários. É neste momento que podemos mostrar para a classe política a nossa força de organização.

Muitas vezes costumamos reclamar dos políticos que elegemos, mas raramente acompanhamos o trabalho destes indivíduos. Esta é uma grande oportunidade de conhecermos o trabalho deles – literalmente no local de trabalho – e melhorar o nosso conhecimento sobre o que eles realmente podem fazer para melhorar este país.

Deixo aqui uma convocação para todos aqueles que se preocupam com o desenvolvimento deste estado para que procurem a Associação Comercial e Empresarial da sua cidade e compareça na próxima terça-feira na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná.



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