segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Qual caminho trilhar para termos o Turvo que queremos para 2030?


Texto originalmente publicado no Blog do Elói.

O tema desenvolvimento local é amplamente abordado e ainda gera controvérsias e acalorados debates. Na estreia da minha coluna semanal no Blog do Elói, semana passada, iniciei este assunto com o artigo “O Turvo que queremos para 2030” onde busquei incentivar as lideranças da sociedade civil organizada a planejarem e executarem, em conjunto, um projeto de longo prazo para o município. Nos últimos anos presenciei vários debates de lideranças onde se discutia: desenvolvimento local depende mais dos fatores locais (endógenos) ou de fatores externos (exógenos)? Ou melhor, o desenvolvimento de Turvo depende das ações da sociedade local ou do investimento de atores externos – como governos estadual e federal e de empresários de outras regiões?

A experiência de outras localidades nos mostra que o desenvolvimento ocorre com a dependência dos dois fatores, mas é importante frisar que na maioria, o início ocorre através da organização das forças locais (endogenia). São os atuais líderes que de forma organizada darão direcionamento para os investimentos no município, sejam públicos ou privados, que podem ser amplificados através de um desenvolvimento sistêmico integrado.

Concordo que em termos teóricos, a solução parece simples, mas o grande desafio deste processo é a dita organização ou alinhamento das diversas lideranças para um objetivo comum. É visível que atuando de forma isolada, a grande maioria das lideranças se comporta como concorrentes, que buscam maior visibilidade da própria instituição em detrimento das demais. Onde todos querem ser o protagonista das iniciativas, que em muitos casos terminam sem “acabativas”. Mesmo quando os projetos chegam ao sucesso, poderiam ter atingido resultados ainda melhores, com a participação de mais instituições.
A solução para este problema é incentivar um comportamento mais altruísta, através do diálogo e a implantação de canais de comunicação adequados. O objetivo é gerar espaços de consensos e confiança mútua e a sugestão é a criação de um fórum de lideranças para que, de forma organizada, alinhem os objetivos de longo prazo, por área de atuação. Este fórum precisa, ainda, fazer a coordenação entre dois grandes grupos: Sociedade Civil Organizada de um lado com o Poder Público Local no outro, através de um processo de articulação e negociação entre as partes envolvidas.

Novamente, parece que a teoria simplifica as soluções, mas por outro lado, alguns fatores que costumam atrapalhar ainda precisam ser trabalhados, tais como a criação de uma nova filosofia e nova cultura entre as lideranças com a abertura para o diálogo. Implantar a cultura do empreendedorismo. Aceitar um maior controle social nas decisões importantes para o município, através da participação das mais variadas organizações em ação no local. E ainda, implantar nas instituições as práticas de governança corporativa, buscando dar maior transparência na gestão e aumentar a credibilidade das organizações.

Alguns podem pensar que é impossível por tudo isto em prática, ainda mais em uma cidade pequena. Mas uma breve busca no Google com este tema pode mostrar muitos exemplos de locais onde este processo já ocorreu. E mais, se fizermos uma análise mais criteriosa do município de Turvo, podemos observar que já estamos num processo avançado neste caminho, pois temos uma grande quantidade de entidades em operação no município. A grande maioria foi criada até o final da década de noventa, período em que o associativismo floresceu por todo o Brasil. Apenas para ilustração, podemos citar a Associação dos Hortifrutigranjeiros de Turvo (1979), o Sindicato Rural de Turvo - patronal (1987), a Cresol (1998), a Associação Nossa Senhora Aparecida – mantenedora do Hospital Bom Pastor (1973), dentre muitas outras instituições. Algumas das instituições enfrentam grandes desafios incluindo a luta pela sobrevivência, até por fatores financeiros. Mas o maior deles é a queda da participação ativa da sociedade turvense, através da participação voluntária de cidadãos dentro das instituições. Talvez um dos fatores que desmotivaram a participação das pessoas é o fato de as instituições ainda não terem chegado ao desenvolvimento pleno em Turvo, gerando os benefícios que o associativismo demonstra ser possível. Ou ainda, o crescimento da paixão pela política partidária, que provoca uma cisão na sociedade – e este problema agora ocorre a nível nacional, para piorar o clima de desunião na sociedade.

Considerando este contexto, o cenário pode aparecer desafiador, porém muito pode ser feito. Em 2016, ao invés de ficarmos reclamando e apontando problemas, vamos partir para a ação de forma proativa. A sociedade civil organizada deve construir um amplo pacto suprapartidário, para dar o próximo passo rumo a um Turvo melhor para 2030.

Fonte: Blog do Elói.
Link:
http://www.blogdoeloi.com.br/2016/01/qual-caminho-trilhar-para-termos-o-Turvo-queremos-em-2030-felipe-brugg-desenvolvimento-regional.html


Veja também:

O Turvo que queremos para 2030

Nenhum comentário:

Postar um comentário