segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Evasão de compras para Guarapuava: o que os empresários de Turvo podem fazer?




Nesta semana a ACIG (Associação Comercial de Guarapuava) divulgou uma pesquisa em que conclui que a cidade de Guarapuava se confirmou como polo regional, pois “84% dos (empresários) entrevistados informaram ter recebido consumidores de outras cidades. Pinhão, Curitiba, Candói, Pitanga, Prudentópolis e Turvo foram as cidades mais citadas pelos lojistas”. Esta matéria reavivou um antigo debate entre os comerciantes de Turvo: o que fazer para competir com o comércio das cidades maiores mais próximas?

Antes de entrar diretamente na discussão do problema da concorrência com cidades maiores, vamos fazer uma breve análise da função do terceiro setor – comércio e serviços – para um município: conceitualmente pode-se afirmar que é “satisfazer as demandas por consumo da população deste território”. Mas o tamanho da população e a renda influenciam diretamente na viabilidade econômica de negócios montados para esta finalidade, o que quer dizer que, nem todas as demandas da população turvense poderão ser supridas por empresas locais. Pois qualquer negócio precisa de um volume mínimo de vendas para gerar margem suficiente, cobrir seus custos fixos e, ainda dar lucro para remunerar o capital investido. O que cabe aos empresários locais que pretendam atender à população de Turvo é identificar os setores que são viáveis para atuarem.

Por outro lado, é evidente a necessidade de execução de ações para enfrentar este cenário. E é nisto que está o maior desafio para Turvo, pois Guarapuava, uma cidade de médio porte que sempre foi caraterizada por ser lenta no desenvolvimento, dá sinais que despertou. A diversificação de negócios é visível, com a construção de shoppings, instalação de grandes redes de lojas de departamentos – como Havan e Americanas, por exemplo –, programas da prefeitura para incentivo ao empreendedorismo, tudo isto potencializado pelo fato de já ser a maior cidade da região com opção barata de transporte intermunicipal. É mais barato viajar de ônibus intermunicipal de Turvo a Guarapuava, do que pagar uma passagem de ônibus urbano do centro para um bairro, dentro de Guarapuava. Vale lembrar que Turvo também sofre concorrência de Pitanga, que se caracteriza como polo na sua região. Por último, existe um grande concorrente para todas as cidades da região: o comércio pela internet.

Diante deste cenário, os empresários de Turvo têm duas opções: enfrentam esta situação ou desistem do setor, e entram para o grupo daqueles que só reclamam. Para aqueles que decidem pelo enfrentamento, vamos ver o lado positivo do município. Apesar da concorrência forte, é visível a força do comércio de Turvo, quando comparado com outras cidades de mesmo porte na região. É bem diversificado, e temos várias empresas que inclusive estão expandindo para outras cidades. A concorrência com Guarapuava exige que as empresas turvenses estejam em aperfeiçoamento contínuo, basta observar o visual das lojas. Passa por Turvo a Rodovia PR 466, que possui bom potencial para negócios ainda pouco explorados pelos empresários locais. A maioria da população reside na área rural, e a tendência é que prefiram comprar em Turvo, devido ao custo do deslocamento. Os consumidores podem aceitar uma leve diferença de preços para ter o produto ou serviço à sua disposição em Turvo.

O mesmo fator que impede a manutenção de certos negócios em Turvo, devido ao baixo volume de vendas, é positivo quando é viabilizado em Guarapuava. Como um exemplo, pode ser citada a oferta de cursos universitários. É muito cara a manutenção de uma estrutura física para uma universidade, mas atuando regionalmente se torna viável. É mais barato para um município subsidiar o transporte diário para os alunos estudarem em Guarapuava, do que bancar uma estrutura dentro de Turvo, com a mesma diversificação de cursos escolhidos por estes estudantes. Através da cidade polo conseguimos formar melhor a mão de obra, possibilitando melhoria do capital social do município. Também existem ramos de negócios em que é possível montar empreendimentos que podem atender às demandas de Turvo e também, os mercados das cidades ao redor. Por exemplo, existem agricultores da região do Ivaí – que residem a 50 km da sede, que abandonaram o plantio de feijão e milho para produzirem mandioca, processarem e venderem (congelada) em supermercados de Guarapuava. Neste sentido, o crescimento de Guarapuava pode ser bom para os empresários de Turvo. Por outro lado, a própria internet pode ser utilizada para exportar produtos e serviços de Turvo, deixando de ser uma ameaça para ser uma oportunidade para os empreendedores locais.

Enfim, muitas ações podem ser executadas para melhorar a competitividade da cidade de Turvo e, todas elas passam pela organização coletiva dos empresários. Participar ativamente na organização da ACET – Associação Comercial de Turvo é uma delas. As associações podem, além das tradicionais campanhas de incentivo ao comércio local de final de ano e dia das mães, inovar e fazer mais ações coletivas para chamar a atenção dos consumidores locais e de outras cidades. Fortalecer o municipalismo pode ser a ação que melhor impacta o comércio local. É necessário estudar mais a fundo as razões que levam as pessoas daqui para outros lugares, pois apesar da desculpa normalmente ser preços mais baixos, a verdade é que outros fatores são ainda mais atrativos. Tais como diversidade de opções de produtos e lojas e, a própria viagem que se torna um evento familiar. É necessário pensar sobre todo o contexto e analisar as possibilidades de oferecer estas opções de experiências aos turvenses, em Turvo.





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