terça-feira, 6 de novembro de 2012

Artigo: Um discutível exemplo para o associativismo do Paraná

Diário de Guarapuava
Sérgio Zarpellon

As considerações a seguir procuram chamar a atenção das associações comerciais do interior do Estado, Acias e da própria classe empresarial paranaense, sobre uma discutível concorrência entre a centenária ACP (Associação Comercial do Paraná) de Curitiba e a Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná), a qual levou recentemente ao desligamento da ACP Curitiba como associada da Faciap.
O contexto desse evento está que, nos últimos 40/50 anos, graças aos esforços e pesados investimentos de centenas e mais centenas de associações comerciais e milhares de micro, pequenas, médias e grandes empresas de todo o Estado, foi construída uma importante base de dados do então chamado Seproc (Serviço de Proteção ao Crédito), criado pela própria ACP Curitiba e SPC. No final dos anos 90 com a expansão da informática e da internet, através da Faciap-PR e da ACP Curitiba ocorreu a chamada interligação desses bancos ou bases de dados em âmbito estadual e nacional.
Na época, a Acig (Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava) se posicionou, e foi voto vencido, que essa interligação deveria ficar a cargo e sob a responsabilidade exclusiva da Faciap-PR visando, justamente, evitar conflitos de interesses e futuros problemas para a federação e Acias do interior. Assim, passados cerca de 12/14 anos, ocorreu divergência de interesses entre os sócios ou associados responsáveis pela centralização dessa chamada base de dados.
O resultado disso foi que, recentemente, a ACP Curitiba sócia ou associada com outra empresa privada ficou interligada com a base de dados do chamado Seproc e SCPC e a Faciap-PR e as Acias do interior do Estado ficaram interligadas com a base de dados do tradicional SPC Brasil-Serasa.
Em sua edição nº 3.423, o jornal Diário de Guarapuava publicou matéria da assessoria de comunicação da ACP Curitiba onde esta demonstra a suas metas de expansão ao interior do Paraná, para vender serviços de proteção ao crédito, ou procurando atrair associações comerciais do interior ou fazendo, por exemplo, parcerias com sindicatos patronais, concorrendo assim diretamente com a Faciap-PR a qual, pelas finalidades e objetivos de seu estatuto, é a legítima representante das Acias do interior deste Estado.
Em função de todos esses fatos, até o momento, se desconhece os custos e as possibilidades ou não de prejuízos financeiros as partes interessadas. Como participante ativo há mais de 26 anos em ações de associativismo, entre os quais 22 anos na Acig, presumo que um prejuízo, talvez o maior, é que as palavras associativismo, associar-se e associação foram, provavelmente, as mais afetadas em tudo isso, até porque, segundo o dicionário Aurélio, associar-se significa: agregar, unir, ajuntar, compartilhar, reunir em sociedade, entre outros.
Assim, os fatos descritos não vão de encontro aos significados de associar-se. Diante dessa realidade, cabe às associações comerciais e empresariais e à própria Faciap ficarem atentas a tudo isso e acompanharem possíveis prejuízos que possam ocorrer visando tomada de posição pertinente ao caso.
Para finalizar, à luz das crenças e valores das lideranças das Acias, cito algumas questões para reflexões: será que as entidades de classe deixaram se contaminar pelo padrão discutível de comportamento tão criticado e em voga no país?
Está correta, por questões mercantis, essa cisão entre ACP Curitiba e a Faciap? Essa situação é defensável à luz do associativismo? Será que o “vale tudo” chegou às portas das entidades de classe?

Sérgio Zarpellon
Ex-presidente da Acig, de 1996/2000. Atualmente, é conselheiro da Acig. Professor na Faculdade Guarapuava

Fonte: http://guarapuava.diarioagora.com.br/noticias/opiniao/28,7845,03,11,artigo-um-discutivel-exemplo-para-o-associativismo-do-parana.shtml

Nenhum comentário:

Postar um comentário